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Economia
Trabalhadores já recuperam parte da massa salarial perdida
Soma de salários brutos pagos entre janeiro e junho na RMC foi de R$ 20 milhões
Venceslau Borlina Filho DA AGÊNCIA ANHANGUERA venceslau.borlina@rac.com.br
O
trabalhador da Região Metropolitana de Campinas (RMC) recuperou, nos
seis primeiros meses do ano, metade da massa salarial (soma de todos os
salários brutos pagos) perdida durante todo o ano de 2009. Ao todo,
foram R$ 20 milhões (50,6%) contra R$ 39,5 milhões negativos do ano
passado. A retomada da geração do emprego no pós-crise e o aumento do
salário médio foram as principais alavancas para o resultado positivo.
Porém, segundo economistas, o trabalhador ainda não tem condições de
comemorar uma melhora significativa do mercado de trabalho, tudo por
causa da desproporcionalidade com a produção.
Segundo relatório
da análise do mercado de trabalho formal elaborado pelo Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a RMC
fechou o semestre com saldo de 34.451 vagas, salário médio de R$ 971,00 e
relação salarial (comparação entre salários de admissão e demissão) de
94%. O saldo de empregos foi 13,9% maior ao verificado no mesmo período
de 2008. Já com relação ao salário médio, o crescimento verificado foi
de 4% (R$ 934,00), enquanto que a relação salarial foi maior do que o
período anterior à crise, que chegou a 93,7%.
“O resultado
verificado aponta que os setores da atividade econômica voltaram a
contratar depois da crise, recuperando a massa salarial, os postos de
trabalho fechados e o salário médio. Porém, esses números poderiam ter
sido melhores caso os setores não fizessem tantos ajustes funcionais
quanto os realizados no pós-crise. A economia está melhor estruturada,
porém, ainda não há conquistas significativas para o trabalhador, no que
pese os bons salários, principalmente. Os empregos foram mantidos, mas
os salários tiveram pouca alteração”, disse a economista e professora da
PUC-Campinas, Eliane Navarro Rosandisky.
O argumento pode ser
comprovado com o comportamento das contratações entre pequenas e grandes
empresas. No primeiro semestre de 2009, os estabelecimentos com até
quatro empregados geraram 10.682 vagas, enquanto os demais
estabelecimentos tiveram saldo negativo de 7.764 vagas. Em 2010, os
estabelecimentos com até quatro vínculos apresentaram saldo de 14.774
vagas (42,9%), enquanto os demais tiveram saldo de 19.677 vagas (57,1%).
Os estabelecimentos com mil ou mais vínculos geraram 11,1% das vagas.
“A recontratação pelo setor de serviços e a indústria puxaram os
resultados”, disse a pesquisadora do Dieese, Adriana Jungbluth.
Agência
Sócio-proprietário
de uma agência de publicidade, Erik Curado, de 30 anos, contratou mais
três funcionários no primeiro semestre de 2010 para reforçar a equipe.
“Ganhamos novos clientes nesse período e tivemos que contratar mais
pessoas. Com isso, também faremos girar a roda da economia. Vamos
contratar pedreiros para ampliar o prédio da agência, estamos fazendo
cotação para compra de novos equipamentos e vamos investir ainda mais.”
Um dos funcionários contratados, Jeancarlo Marx, de 31 anos, ficou feliz
com o novo emprego. “Estava em outra agência e mudei com melhor
salário.”
Em Campinas, o trabalhador recuperou em 16,8% a perda
salarial obtida em 2009. “A recuperação foi menor que a vista na RMC e
no País. Um dos fatores que explicam esse comportamento é o crescimento
menor do emprego em Campinas em relação à RMC”, disse Adriana. O setor
de serviços foi responsável por mais da metade das vagas geradas
(57,5%), totalizando 5.214 vagas no primeiro semestre de 2010. A
indústria gerou 26,3% do saldo (2.388 vagas). Já com relação aos
salários, a média é superior ao registrado pela RMC. O crescimento
salarial foi de 6,3%. Entre 2008 e 2010, o crescimento do salário de
admissão foi de 3,2%.
Alguns municípios não apenas recuperaram a
massa perdida como já acumulam ganhos. Hortolândia é um exemplo, com
massa salarial de R$ 2,9 milhões acima da massa necessária para
recuperar o saldo perdido no ano anterior. Outros municípios,
entretanto, ainda não conseguiram recuperar as perdas do ano anterior.
Jaguariúna tem déficit de R$ 7,3 milhões.
Desaceleração no emprego é sentida
Segundo
o Dieese, a RMC e a cidade de Campinas apresentaram redução do ritmo de
crescimento de vagas de trabalho em junho. O saldo do mês na RMC foi
69,4% inferior ao saldo do mês imediatamente anterior. Em Campinas, a
redução foi de 86,5%. Ao longo dos primeiros meses do ano, os setores de
atividade, com destaque para a indústria de transformação, reduziram o
estoque de vagas perdidas ao longo de 2009 em decorrência da crise
financeira. Feita essa recomposição, o ritmo de crescimento passa a ser
mais lento. Analisando-se o desempenho dos municípios pela taxa de
crescimento do estoque de empregos no 1º semestre, ocorre uma alteração
significativa no ranking dos municípios. Cosmópolis passa a liderar com
variação de 12,7% no estoque de vagas (de 9.362 empregos em dezembro de
2009 para 10.552 em junho de 2010). Em seguida aparece Engenheiro
Coelho, com alta de 10,9% no estoque e Monte Mor, com 10,6%. A RMC
apresentou saldo recorde no 1º semestre do ano. Foram 34.451 vagas,
resultado de 239.131 admissões e 204.680 desligamentos. (VBF/AAN)

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