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Publicada em 10/8/2010

Economia
Trabalhadores já recuperam parte da massa salarial perdida

Soma de salários brutos pagos entre janeiro e junho na RMC foi de R$ 20 milhões

Venceslau Borlina Filho
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
venceslau.borlina@rac.com.br

O trabalhador da Região Metropolitana de Campinas (RMC) recuperou, nos seis primeiros meses do ano, metade da massa salarial (soma de todos os salários brutos pagos) perdida durante todo o ano de 2009. Ao todo, foram R$ 20 milhões (50,6%) contra R$ 39,5 milhões negativos do ano passado. A retomada da geração do emprego no pós-crise e o aumento do salário médio foram as principais alavancas para o resultado positivo. Porém, segundo economistas, o trabalhador ainda não tem condições de comemorar uma melhora significativa do mercado de trabalho, tudo por causa da desproporcionalidade com a produção.

Segundo relatório da análise do mercado de trabalho formal elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a RMC fechou o semestre com saldo de 34.451 vagas, salário médio de R$ 971,00 e relação salarial (comparação entre salários de admissão e demissão) de 94%. O saldo de empregos foi 13,9% maior ao verificado no mesmo período de 2008. Já com relação ao salário médio, o crescimento verificado foi de 4% (R$ 934,00), enquanto que a relação salarial foi maior do que o período anterior à crise, que chegou a 93,7%.

“O resultado verificado aponta que os setores da atividade econômica voltaram a contratar depois da crise, recuperando a massa salarial, os postos de trabalho fechados e o salário médio. Porém, esses números poderiam ter sido melhores caso os setores não fizessem tantos ajustes funcionais quanto os realizados no pós-crise. A economia está melhor estruturada, porém, ainda não há conquistas significativas para o trabalhador, no que pese os bons salários, principalmente. Os empregos foram mantidos, mas os salários tiveram pouca alteração”, disse a economista e professora da PUC-Campinas, Eliane Navarro Rosandisky.

O argumento pode ser comprovado com o comportamento das contratações entre pequenas e grandes empresas. No primeiro semestre de 2009, os estabelecimentos com até quatro empregados geraram 10.682 vagas, enquanto os demais estabelecimentos tiveram saldo negativo de 7.764 vagas. Em 2010, os estabelecimentos com até quatro vínculos apresentaram saldo de 14.774 vagas (42,9%), enquanto os demais tiveram saldo de 19.677 vagas (57,1%). Os estabelecimentos com mil ou mais vínculos geraram 11,1% das vagas. “A recontratação pelo setor de serviços e a indústria puxaram os resultados”, disse a pesquisadora do Dieese, Adriana Jungbluth.

Agência

Sócio-proprietário de uma agência de publicidade, Erik Curado, de 30 anos, contratou mais três funcionários no primeiro semestre de 2010 para reforçar a equipe. “Ganhamos novos clientes nesse período e tivemos que contratar mais pessoas. Com isso, também faremos girar a roda da economia. Vamos contratar pedreiros para ampliar o prédio da agência, estamos fazendo cotação para compra de novos equipamentos e vamos investir ainda mais.” Um dos funcionários contratados, Jeancarlo Marx, de 31 anos, ficou feliz com o novo emprego. “Estava em outra agência e mudei com melhor salário.”

Em Campinas, o trabalhador recuperou em 16,8% a perda salarial obtida em 2009. “A recuperação foi menor que a vista na RMC e no País. Um dos fatores que explicam esse comportamento é o crescimento menor do emprego em Campinas em relação à RMC”, disse Adriana. O setor de serviços foi responsável por mais da metade das vagas geradas (57,5%), totalizando 5.214 vagas no primeiro semestre de 2010. A indústria gerou 26,3% do saldo (2.388 vagas). Já com relação aos salários, a média é superior ao registrado pela RMC. O crescimento salarial foi de 6,3%. Entre 2008 e 2010, o crescimento do salário de admissão foi de 3,2%.

Alguns municípios não apenas recuperaram a massa perdida como já acumulam ganhos. Hortolândia é um exemplo, com massa salarial de R$ 2,9 milhões acima da massa necessária para recuperar o saldo perdido no ano anterior. Outros municípios, entretanto, ainda não conseguiram recuperar as perdas do ano anterior. Jaguariúna tem déficit de R$ 7,3 milhões.

Desaceleração no emprego é sentida

Segundo o Dieese, a RMC e a cidade de Campinas apresentaram redução do ritmo de crescimento de vagas de trabalho em junho. O saldo do mês na RMC foi 69,4% inferior ao saldo do mês imediatamente anterior. Em Campinas, a redução foi de 86,5%. Ao longo dos primeiros meses do ano, os setores de atividade, com destaque para a indústria de transformação, reduziram o estoque de vagas perdidas ao longo de 2009 em decorrência da crise financeira. Feita essa recomposição, o ritmo de crescimento passa a ser mais lento. Analisando-se o desempenho dos municípios pela taxa de crescimento do estoque de empregos no 1º semestre, ocorre uma alteração significativa no ranking dos municípios. Cosmópolis passa a liderar com variação de 12,7% no estoque de vagas (de 9.362 empregos em dezembro de 2009 para 10.552 em junho de 2010). Em seguida aparece Engenheiro Coelho, com alta de 10,9% no estoque e Monte Mor, com 10,6%. A RMC apresentou saldo recorde no 1º semestre do ano. Foram 34.451 vagas, resultado de 239.131 admissões e 204.680 desligamentos. (VBF/AAN)

 

 


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