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Rede
Balcão virtual é negócio vantajoso
Empresas fora da internet correm o risco de vender menos
Fabiano Ormaneze
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
fabiano.ormaneze@rac.com.br
Que a internet revolucionou o modo como as pessoas se comunicam ou a forma como informações são obtidas não resta nenhuma dúvida. Com tamanhas alterações, o jeito de fazer negócios também não é mais o mesmo: agora quem fica de fora do mundo virtual corre o risco de vender menos, gastar muito mais com estratégias de marketing equivocadas e ainda perder mercado para quem já descobriu que os bytes são muito mais do que apenas a forma como os dados são processados na tela do computador.
Ter uma loja ou, pelo menos, um catálogo composto por uma imagem na tela é, no mínimo, um negócio vantajoso. “Pode-se dizer que hoje é erro crasso deixar de considerar a internet no ambiente de vendas. Quem quer crescer, precisa valorizar as informações que estão na rede”, diz Gustavo Ramos, gerente de projetos da Webcompany, empresa especializada em assessorar comunicação e tecnologia via internet.
O medo de passar informações pela internet vem desaparecendo nos últimos anos e até quem não compra pelo computador já tem o hábito de pesquisar o que vai levar para casa nos sites. Uma pesquisa desenvolvida pelo Google nas capitais no primeiro semestre deste ano com cerca de 3 mil pessoas e apresentada em Campinas na última semana durante seminário promovido pela Webcompany e a Câmara Americana de Comércio (Amcham) sobre comunicação estratégica via web mostra que, em algumas áreas, como eletroeletrônicos, chega a 85% o número de compradores que, mesmo efetuando a compra numa loja, antes fizeram consultas pela internet, para descobrir qual o melhor preço e as características do produto. “Ainda existem pessoas medrosas em relação à transmissão de dados via internet, mas as empresas devem estabelecer uma relação de confiança com os clientes, para que eles percebam a transparência e, assim, saibam quais os sites confiáveis”, explica Ramos, cuja empresa já desenvolveu cerca de 600 projetos para organizações privadas e públicas de grande porte.
No Brasil, esse cenário pode mudar em pouco tempo, se ocorrer por aqui o mesmo já verificado em outros países, principalmente na América do Norte e na Europa. Uma outra pesquisa, realizada no ano passado pela Nielsen Company, empresa de mídia germânico-americana, indicou que 85% do volume mundial de internautas já fazem compras pela internet. Isso significa, pelo menos, 875 milhões de pessoas, para os quais praticamente não há barreiras geográficas.
Esse valor ganha ainda mais força quando comparado com o de dois anos atrás, quando apenas 10% dos consumidores on-line tinham o hábito de fazer comprar na web. Além disso, a mesma pesquisa mostra que, no mundo todo, cerca da metade dos internautas fez uma compra na web nos últimos 30 dias. E tecnologia chama tecnologia: o setor que mais vende pela internet ainda é o de eletrônicos, envolvidos aí os celulares. Passagens aéreas, livros e CDs vêm em seguida no ranking. As áreas com menos vendas via internet ainda são os produtos para animais: menos de 3% diz pesquisar antes em sites e também só 3% disseram já ter comprado comida ou brinquedos para cães e gatos pelo computador.
Não param de surgir empresas que vendem exclusivamente pela internet, como é o caso do site Amazon, que comercializa eletrônicos, livros, CDs e DVDs, roupas, calçados e móveis. Outro setor que aproveita bastante disso é o das editoras: muitas, como a Akademika, de Campinas, ou a Clube dos Autores, de São Paulo, já abriram mão dos gastos com distribuidores e da divisão de lucros com as livrarias para vender só pela internet.
Brasil
No Brasil, há 62 milhões de pessoas conectadas, o que ainda é pouco se for considerado que isso representa cerca de 33% da população do País. Mas, com a recuperação da economia e o barateamento já observado nos equipamentos, esse número tende a crescer nos próximos anos. “A maioria desses consumidores são jovens e passam, em média, 26 horas on-line por mês. Em segundos, esses novos consumidores podem comparar preços, ter acesso a opiniões de outras pessoas, conhecer novos produtos, avaliá-los publicamente e entrar em contato com representantes e fabricantes”, explica Alexandre Frias, diretor de negócios da Webcompany.
Agência tem até 90% dos clientes conquistados via web
O empresário Erik Curado, sócio-proprietário da C4 Publicidade, agência especializada em propaganda e marketing, conhece bem a importância da internet para fechar novos negócios. De acordo com ele, 30% dos clientes procuram os serviços da empresa por causa das consultas na internet. Além disso, 70% dos clientes fecham negócio após consultar a página que a agência mantém na web desde a inauguração, há 9 anos. “Quem já nos conhece ou tem alguma informação sobre a agência, vai até o site para ver nossos clientes e consultar o portifólio. É uma forma de mostrar a todos o que podemos fazer”, diz. Para fazer do endereço uma ferramenta rentável, o site passa praticamente por atualizações diárias, com a inclusão dos novos clientes. “O mais interessante é que, quando fechamos um novo contrato, o cliente pede para ser incluído no nosso portifólio”, afirma. Com a dinâmica do site, a posição no Google também mudou quando as palavras procuradas são “publicidade” e “Campinas”. No site de busca, têm mais destaque as páginas com mais visitas e aquelas em que os internautas permanecem mais tempo. “É uma consequência: site bem alimentado e atualizado gera novas pesquisas e melhora a posição no Google”, diz. Estar no topo das pesquisas é importante, porque, mais de 70% dos clientes não passam da primeira página ao fazer uma pesquisa na internet. Há um mês, a C4 Publicidade entrou também no Twitter. “É uma forma de abrir mais uma vitrine. Quem nos segue sabe os clientes que temos, os trabalhos que realizamos, o que ajuda a passar credibilidade e demonstrar a qualidade dos nossos serviços”, afirma Curado. (FO/AAN)
Venda requer agilidade, fidelização e transparência
Mas vender pela internet não significa, simplesmente, ter um site ou participar de sites de relacionamento como Orkut ou Twitter. “Muitas empresas cometem o pecado de não ser transparentes e não ter a agilidade que a internet requer”, explica Gustavo Ramos, gerente de projetos da Webcompany.
De acordo com Ramos, o principal valor que uma empresa deve priorizar ao buscar clientes na internet é a fidelização e a transparência. “Como muita gente ainda tem medo de comprar pela rede, é importante que haja um bom relacionamento, que possa passar confiança”, afirma. Ele lembra, por exemplo, que já existem empresas que têm perfis ou comunidades no Orkut e fazem um monitoramento em curtos períodos de tempo, para responder dúvidas de clientes, evitar ruídos de comunicação e descobrir que informações circulam pela rede. “Isso evita, por exemplo, que pessoas sem informação transmitam erros ou que se perca o controle sobre o que está sendo divulgado”, afirma.
Pesquisas provam a necessidade dessa transparência. De acordo com o levantamento feito mundialmente no ano passado pela empresa de mídia Nielsen Company, 60% dos internautas são fiéis às compras em site com o qual estejam familiarizados e isso leva em conta a facilidade para encontrar as informações procuradas, a credibilidade que as informações passam e o atendimento ao cliente. Mas isso não significa que a propaganda boca a boca desapareceu. Pelo menos 25% dos consumidores que fizeram compras pela internet usaram recomendações de alguém para escolher o site em que gastariam seu dinheiro. (FO/AAN)
A FRASE
“Não existe mais o internauta, mas sim pessoas que trazem a interatividade para as suas vidas”.
ALEXANDRE FRIAS
Diretor de negócios

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